Preparação para um Granfondo em 12 passos: O Guia Definitivo

Olá ciclista! 🙂

Estamos no Verão, onde entramos na altura do ano onde existem mais competições ao estilo do Granfondo. Não só em Portugal como noutros países do mundo.

Os Granfondos têm invadido o calendário nos últimos anos, e têm sido responsáveis por um crescimento cada vez maior do número de praticantes de ciclismo pelas estradas fora. E isso é ótimo para todos nós que gostamos de pedalar.

Mas, com tanta gente nova a entrar neste novo mundo das duas rodas, ainda existem muitos ciclistas que gostariam de saber melhor como se devem preparar para este tipo de provas.

No artigo de hoje, decidi trazer aqui alguns dos elementos que eu considero importantes na hora de nos prepararmos adequadamente para uma prova desta envergadura. Uma das vantagens de estar em equipas de ciclismo há vários anos é que já estamos habituados a estas rotinas, e portanto, para mim é muito mais fácil identificar facilmente o que é aconselhado e recomendado fazer para que tudo dê certo.

Como me preparar para um Granfondo?

Toda a preparação para um Granfondo (ou vários no ano, caso seja o teu caso) se divide em vários aspetos que são importantes para podermos tirar um bom rendimento. Os próximos tópicos vão dar-te um guia passo a passo de forma a que saias deste artigo com tudo aquilo que precisas. Para simplificar a leitura, dividi este artigo em 4 capítulos chave:

  • I -Programação e Planeamento
  • II – Treino e Preparação
  • III – Logística
  • IV – Estratégia de prova

I – Programação e Planeamento

Passo 1 – Definir o calendário anual de competições

Um dos aspetos que é mais importante é sabermos antecipadamente quais são as competições que queremos realizar naquele ano. Normalmente, os Granfondos são objetivos pessoais de muitos atletas amadores. Apesar disso, ainda vejo muitos a quererem fazer um bom resultado neste tipo de provas sem fazer nenhum tipo de competição antes.

Para que nós consigamos atingir um bom nível físico, é necessário ganhar ritmo competitivo, para não chegarmos ao nosso objetivo sem nenhum tipo de competição realizada.

Por isso, planear o calendário é essencial para poder usar algumas provas como preparação para aquele nosso grande objetivo.

Mesmo para quem pretende fazer vários Granfondos ao longo do ano, participar noutras provas anteriormente vai ajudar a apurar a nossa forma física, o que depois nos ajuda a manter um bom ritmo nos Granfondos seguintes.

Quem for mais avançado, como é o caso dos nossos alunos do curso Segredos do Ciclismo, pode também optar por fazer uma periodização do treino e não se ficar apenas pelo calendário.

Já aqueles que vão para o Granfondo mais numa de desfrutar do momento sem se matar muito, então este primeiro passo não é muito relevante, pois para esses ciclistas o que conta é apenas participar e chegar ao final.

Passo 2 – Garantir a inscrição no evento o mais rápido possível

Num evento como um granfondo, o timing da inscrição é muito importante, já que, por norma, é a ordem de confirmação de inscrição que determina o número do dorsal a utilizar na corrida. Então, se tu tens objetivos pessoais de fazer boa figura nessa corrida, convém estares atento Às datas de inscrição, e fazer logo o pagamento o mais rápido possível para garantires a tua vaga.

Isto é importante porque vai determinar a box onde vais partir, e se o teu objetivo passa por disputar os lugares da frente, esta é uma questão a que deves dar grande prioridade.

Caso sejas aquele ciclista que vai para desfrutar do passeio e não tanto pelo resultado, então este ponto não tem assim tanta importância.

Passo 3 – Gerir as expectativas

É muito frequente nós ciclistas delinearmos objetivos ambiciosos para as provas nas quais participamos. No entanto, é sempre bom lembrar que este tipo de granfondos não são uma prova regional qualquer. São provas de âmbito nacional e até internacional, onde vêm ciclistas de outros países para participar.

Com isso, caímos muito no erro de marcar um objetivo de resultado muito irrealista. Do género fazer TOP 10 na geral, sem saber exatamente quem vai participar nem quantas pessoas vão participar.

Neste tipo de situações, a minha recomendação é delinearem um objetivo por percentagem, e nunca um número fixo. Isto porque podem estar 3000 ou 4000 participantes, e essa diferença pode ser muito significativa entre ficar no lugar 50 ou no lugar 200.

Muitos de nós acabamos por nos frustrar por colocarmos a fasquia demasiado alta e não termos uma noção real de onde nos vamos meter. Por isso, ter atenção com isso é fundamental para não defraudar as nossas expectativas.

Há medida que vamos tendo mais experiência neste tipo de provas, essa questão vai melhorando. Mas para quem está a começar nestas andanças, é bom que baixe a fasquia porque o nível é mais elevado do que parece.  😉

II – Treino e Preparação

Passo 4 – Treinar de acordo com as características da prova

Um dos passos mais determinantes para um bom resultado no fim das contas é o treino. Afinal, quem não treina, não anda. E embora todos os anos possam haver sempre alterações nos percursos, as variações nunca são muito significativas, já que por norma cada granfondo representa uma região específica, e passa quase sempre nas mesmas zonas.

Isto dá-nos uma enorme vantagem, pois mesmo que ainda não tenha saído o percurso ou as inscrições para a prova, já podemos ter uma ideia mais concreta do tipo de percurso que vamos ter pela frente.

Desta forma, é pertinente trabalharmos para as distância que vamos encontrar na corrida, trabalhar subidas com distância e inclinação idênticas, e tentar aumentar a nossa velocidade média em subida, ao mesmo tempo que procuramos melhorar a nossa endurance para aguentar fazer várias subidas duras na mesma prova.

Um bom método de treino e bastante simples, é o método que ensino dentro do curso do CycleChanger. É algo que não precisa de meios muito avançados, e que qualquer ciclista consegue colocar em prática. E a grande vantagem é que ele funciona por ciclos de várias semanas com intervalos de recuperação, o que permite-nos ajustar o treino em função da data que queremos atingir o nosso objetivo.

Caso queiras conhecer melhor este método, recomendo-te descarregares o nosso eBook (Gratuito) “4 Passos Essenciais Para Melhorar a Resistência no Ciclismo“. Podes descarregá-lo na imagem abaixo:

Passo 5 – Reconhecimento prévio do percurso

Se queres realmente disputar um bom lugar e encarar a competição com um grau de comprometimento elevado, reconhecer o percurso no terreno deve ser considerado uma prioridade.

Fazer o reconhecimento é importante para que a nossa confiança esteja em alta na hora de encarar o dia da prova. Com o reconhecimento feito, eu posso delinear uma estratégia mais certeira, gerir melhor o meu esforço ao longo da corrida, e consigo facilmente evitar surpresas desagradáveis. Sejam subidas muito íngremes, estradas com mau piso ou muito estreitas, ou qualquer tipo de descida perigosa.

O ideal e perfeito seria combinares com mais alguns amigos e dividirem as despesas de deslocação, para que assim possam fazer o reconhecimento em companhia e possam em conjunto superar as dificuldades do percurso. Se conseguires ainda ter um apoio logístico em que alguém possa ir de carro acompanhar os ciclistas, seria perfeito. Seja para reabastecer com água ou com alimento sólido, seja para dar uma força, ou até para fazer umas partes do percurso de carro e outras de bicicleta.

Mas certamente alguns estarão neste momento a perguntar-se:

Com quanto tempo de antecedência da prova eu devo fazer o reconhecimento?

Na minha opinião, não tem uma regra, mas fazê-lo na semana anterior já seria demasiado tarde para podermos aperfeiçoar alguma coisa no treino. Tudo o que for antes disso, parece-me ajustado. Eu faria pelo menos 1 mês antes.

Passo 6 – Treinar competindo

Um dos tópicos que já abordei aqui na nossa comunidade do Segredos do ciclismo, é o facto de utilizarmos competições secundárias como treino para competições mais importantes.

Tal como falei no meu vídeo sobre as 4 Variáveis para atingir a boa forma, ganhar ritmo competitivo é uma das formas mais rápidas de atingir uma boa forma. E para isso acontecer, é necessário fazer outras provas com o intuito de treinar para o nosso granfondo.

Essas provas podem ser outros granfondos, ou podem ser provas de BTT Maratona, ou até outras provas que sirvam para aumentar a intensidade e especificidade dos estímulos.

Esta componente está inteiramente ligada com o Capítulo I sobre o planeamento do calendário, mas também se encaixa perfeitamente aqui no Capítulo do treino, já que são competições com esse mesmo objetivo.

É neste tipo de competições que vamos apurar a nossa forma, ver se há algo a melhorar, e começar a sentir como o nosso corpo vai reagindo ao longo do esforço.

Por isso, se ainda não pensaste neste detalhe, eu aconselho-te a fazeres no mínimo 3 dias de competição nas 8 semanas anteriores ao teu grande objetivo da temporada.

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III – Logística

Agora que passamos os primeiros 2 capítulos onde falamos sobre o que fazer meses antes da prova, a partir daqui vamos entrar nos capítulos que se referem aos dias imediatamente antes da prova e o dia respectivo.

Existem alguns pontos a considerar para que possamos ter uma melhor experiência, e que durante a corrida tenhamos o mínimo de preocupações externas.

Passo 7 – Formar uma equipa de apoio

Um dos pontos mais importantes é ter uma equipa de apoio. Se isto é algo que nunca te passou pela cabeça e ficaste confuso, deixa-me explicar melhor.

No que diz respeito à logística da prova, toda a preparação e estratégia, é necessário (ou pelo menos é aconselhável) ter pelo menos um acompanhante que não vá fazer a prova. Pode ser mais do que uma pessoa, mas pelo menos uma pessoa é extremamente útil. Vamos precisar de uma pessoa para nos ajudar com o abastecimento apeado durante a prova, vamos precisar de gente para nos ajudar no transporte e montagem da bike na zona de meta. Para quem vai fazer uma viajem longa de carro, seria importante ser o acompanhante a conduzir, por exemplo.

Delegar funções é super importante, e quando fores considerar isto, podes tentar arranjar um amigo ou amiga para te ajudar, e caso não tenhas possibilidades disso, podes sempre juntar-te a um grupo de pessoas que vá participar na prova juntos, e formar uma espécie de parceria. Ou então simplesmente criar uma equipa para que as pessoas que dão suporte possam ajudar vários atletas ao mesmo tempo.

Quem faz isso muito bem são aqui os meus vizinhos da Ribeiro’s Bike Shop. Organizam-se em grupo, têm sempre alguém que monta a estrutura da equipa e que delega funções para distribuir abastecimentos por zonas do percurso específicas, e claro, criam estratégias de corrida em grupo também, já que têm muitos elementos. Mas sobre isso vamos falar mais à frente.

Passo 8 – Antecipar a logística, alojamento e refeições

Um dos aspectos mais importantes é a logística do dia da prova. Devo ir para lá no próprio dia? Devo ir no dia anterior? O que é melhor? Onde vou encontrar um restaurante? Tem pequeno-almoço no local onde vou dormir ou tenho de me precaver?

Todo este tipo de situações devem ser antecipadas para que no dia da prova só se pense na prova. A meu ver, o melhor mesmo é sempre estar o mais perto possível da partida no dia anterior. A não ser que moremos perto da zona, é preferível.

No dia da prova, é obrigatório estar na zona de partida pelo menos 1h antes, isto se queremos evitar filas e stresses desnecessários.

Primeiro, porque é necessário garantir um lugar de estacionamento do nosso carro de apoio perto da zona de meta, para que possamos aquecer sem estar demasiado longe, ou caso seja necessário vir ao carro buscar algo que ficou esquecido, ter a certeza que estamos perto.

Aliado a isso ainda temos a questão do levantamento dos dorsais, que é uma parte importante e que normalmente gera muita confusão. Existem algumas organizações que disponibilizam algumas horas no dia anterior para levantamento dos dorsais, mas existem outras que temos de levantar no próprio dia. Depois é preciso garantir que está tudo em ordem com a bike, o abastecimento está fresco, a hidratação está pronta, e que temos tudo o que é preciso para arrancar.

Além disso, e particularmente se partirmos muito atrás, ou caso a prova comece logo em subida, o aquecimento no rolo é muito importante. Inclusive tenho um vídeo onde falo sobre qual deve ser o tipo de aquecimento ideal a fazer no rolo.

No que diz respeito às refeições, é importante jantarmos a horas no dia anterior, e garantir que já sabemos onde vamos comer, e que temos a mesa reservada, antes sequer de iniciar a viagem. Isto porque normalmente os hotéis e restaurantes próximos ao local da prova ficam cheios, pois há muita gente a fazer reservas para aquela zona. E então se for uma zona mais rural, com pouco movimento, ainda pior.

Já no que diz respeito ao pequeno almoço, convém ser bem reforçado, e caso o local onde estejam a dormir não sirva, garantam que trazem de casa algo para esse efeito, já que essa será uma das partes mais importantes.

Outro ponto muito importante tem a ver com a bicicleta e a respetiva manutenção. Não podemos deixar esse trabalho para a última hora. É necessário deixar a bike num mecânico minimamente capaz de fazer uma revisão completa e deixar a bicicleta impecável para que no dia da prova não hajam problemas.

Para quem tiver uma equipa de apoio, pode facilmente delegar estas tarefas e preocupar-se apenas em “ser ciclista”. Quem não tiver, logicamente tem de fazer tudo sozinho. Mas com tempo dá perfeitamente para organizar. Se forem 2 ou 3 amigos, ainda mais fácil se torna e dividem-se tarefas e as despesas.

Passo 9 – Preparar tudo o que vamos levar durante a prova

Um dos pontos onde a maioria dos ciclista falha é não preparar tudo aquilo que vai levar para usar durante a prova. Como assim? Levar durante a prova?

Sim, ninguém vai para uma prova destas de bolsos vazios. É necessário levar um kit de sobrevivência em termos de ferramentas (câmara de ar, desmonta pneus, bomba de CO2, elo de engate e descravador da corrente). Muito cuidado com quem leva pneus tubulares, garanta que vão bem preparados com líquido anti furo. Caso contrário, ficam em terra.

Além da ferramenta de emergência, é necessário também preparar toda a hidratação para a prova. Esta tarefa pode ser feita pelo próprio ciclista (caso não tenha uma equipa de apoio) mas também pode ser feita por alguém da equipa. Pelo menos no dia anterior é importante preparar vários bidons (no Brasil se chama de caramanhola) de água, e alguns de isotónico.

É importante deixar num local fresco, e no próprio dia deixar numa geladeira portátil com muito gelo, para que se mantenha gelado durante bastante tempo, principalmente nos dias de muito calor.

Para a corrida em si, o ciclista deve levar um bidon de sais e um de isotónico, mas deve deixar alguns frescos na geleira para quem puder dar durante o percurso. Aí vai fazer diferença ter alguém a dar apoio, pois essa pessoa pode deslocar-se para uma zona difícil do percurso onde ficará a dar abastecimento, e desta forma nós evitamos uma paragem desnecessária durante as zonas de abastecimento próprias da corrida, perdendo assim tempo desnecessário.

Por fim, e não menos importante, é necessário deixar pronto no dia anterior também o abastecimento sólido que vamos levar durante a prova. Muitos ciclistas, principalmente aqueles que têm menos experiência, deixam-se levar pelo marketing das marcas de suplementos e só levam barras e geis energéticos. Isso é um tremendo erro, pois elas não vão suprir todas as nossas necessidades, além de podermos enjoar facilmente.

É importante levar abastecimento variado, não apenas coisas doces mas também algumas coisas salgadas. Entre algumas opções temos:

  • Cubos de marmelada
  • Banana ou outra fruta
  • Bolachas com geleia
  • Barras caseiras com aveia e mel
  • Bolachas de água e sal
  • Pão de leite com marmelada (dividido em 2 pedaços)
  • Bolinho de feijão
  • Aletria em cubos
  • Etc, etc … (O que a criatividade aconselhar)

É extremamente importante irmos variando o abastecimento. Embrulhar em papel de alumínio e deixar num local fresco para que no dia da prova possamos nos alimentar sem ficar enjoados.

E como sabemos qual a quantidade certa para levar durante a corrida?

Bom, eu costumo usar a seguinte fórmula: 1 peça para cada 15km de corrida. Este é o meu critério. Dentro do lote de escolhas alimentares, levo sempre 1 gel e 1 barra energética, e 6, 7, 8, ou 9 peças das que mencionei na lista acima, dependendo da extensão do percurso.

Se o percurso for muito exigente, poderíamos levar outro gel, mas com o calor ele vai ficar quente. Então é preferível deixar o gel na geleira e entregar junto com o abastecimento apeado para vir fresquinho.

Se não se anteciparem com este detalhe, garanto-vos que não vai correr bem. Nunca sabemos ao certo o que podemos encontrar nas zonas de abastecimento das provas, qual o tipo de abastecimento que nos é fornecido. Na maioria das vezes é apenas fruta, fora alguma excepção ou outra. Por isso, combinem com a pessoa que vai convosco como vão fazer para que nada falhe neste aspecto.

É preferível ir prevenido e sobrar, do que não levar nada e quebrar, porque já diz o ditado: “homem/mulher prevenido/a vale por dois”. 😉

IV – Estratégia de Prova

Passo 10 – Planear as zonas de abastecimento apeado ou paragens

Uma das partes cruciais do planeamento da nossa estratégia da corrida, é definirmos onde vão estar as pessoas que nos dão apoio e que nos podem dar água, isotónico e geis frescos. É importante que já esteja delineado essas zonas, até porque a pessoa terá de ir de carro para os diversos locais, e terá alguma dificuldade em sair do local após passarem os ciclistas. Por isso ela não terá muito espaço de manobra para dar abastecimento em várias zonas. No máximo talvez 1 ou 2 zonas.

O ideal seria escolher uma zona a subir, que dê para agarrar todos os bidons a tempo. Se for uma zona muito plana os ciclistas passam a alta velocidade e fica complicado agarrar o bidon ou o abastecimento de forma apropriada.

Uma dica que vos deixo é para não deixarem que este tipo de abastecimento fique muito próximo da meta, pois é normalmente aí que se decide a corrida e o ciclista vai muito focado na prova em si, além de que a maior parte do abastecimento já deveria ter sido ingerido antes. Por isso, no máximo a última assistência deve ficar para a última hora de prova. Depois disso é tarde demais para dar abastecimento liquido ou sólido. (Fica a dica)

Mas e se eu não tiver uma equipa de suporte que me possa dar esse apoio durante a corrida?

Bom, nesse caso então teremos de jogar com as paragens nas zonas de abastecimento que a organização disponibiliza. Cada percurso quando é publicado é gerado um gráfico com a altimetria, e vem lá mencionado quais são as zonas de abastecimento. Normalmente elas acontecem perto do meio da prova, ou antes de uma subida longa por exemplo, embora isso varie de organizador para organizador.

Então vale lembrar que, antes de iniciar a prova, vou preocupar-me em perceber qual o tipo de abastecimento que oferecem em cada zona, se água se sólido, e qual o tipo de sólido. No caso de oferecerem água, recomendo levaram também uma saqueta de sais (isotónico em pó) para numa das paragens encherem novamente o bidon e fazer sais instantaneamente agitando o bidon.

O mais adequado seria adoptarmos uma estratégia que evitássemos perder muito tempo. Então se conseguirmos fazer tudo numa paragem, é preferível do que fazer 2 paragens. Para que tudo funcione, devemos combinar o abastecimento que vamos levar no bolso (vimos no capítulo anterior) junto com as paragens estratégicas que vamos precisar de fazer.

Passo 11 – Definir uma estratégia geral de corrida e improvisar no momento

No dia anterior da corrida, é importante delinearmos qual vai ser a nossa estratégia em prova. Temos de gerir o nosso esforço ao longo dos quilómetros, e saber jogar com as nossas forças ou fraquezas para que possamos obter o melhor resultado possível.

O principal ponto a considerar ao definir uma estratégia é que ela deve ser um pouco aberta e flexível a mudanças, e não deve ser muito rígida. Isto porque nós não corremos sozinhos. Existem muitas situações em que nós tinhamos previsto fazer uma subida num ritmo mais calmo para termos energia no final. Mas por vezes a corrida desenrola-se de forma a que um grupo grande se vai partir em 2, e vale a pena fazer um esforço maior para ficar no grupo da frente, porque depois de partir o grupo de trás dificilmente voltará a encostar.

Ou então de repente um adversário perigoso decidiu atacar num momento importante e pode ganhar uma vantagem irrecuperável, e faz sentido nós tentarmos ir com ele, mesmo que isso à partida não estivesse previsto.

Ou simplesmente tínhamos pensado ir no grupo da frente mas sentimos que o corpo não está nos seus melhores dias e abrandamos e tentamos encontrar o nosso ritmo, para que não “tiremos bilhete” e fiquemos pregados na estrada.

Ou seja, evitem estratégias muito rígidas do género “tenho de seguir isto assim e pronto”. Façam algo mais genérico que dê para improvisarem e decidir em função do momento.

No entanto lembrem-se sempre que as sensações do corpo vão ditar também uma boa parte das decisões mais importantes em prova. Por isso, faz sentido que prestem atenção nisso para não deitarem tudo a perder.

Alguns pontos a considerar ao delinear a tática da corrida são:

  • De qual box eu vou partir? Tenho muitos ciclistas para ultrapasssar no início?
  • Quantos atletas no total vão participar?
  • Quantas subidas tem a prova? Alguma que eu me adapte melhor?
  • No reconhecimento que fiz da prova, existe algum ponto que eu me deva antecipar durante a corrida para não ser supreendido?
  • Quais são os adversários que eu devo fazer uma marcação individual? Quais os dorsais deles? Quem tenho de deixar para trás?
  • Como estão as minhas pernas? Estou a sentir-me bem para atacar agora ou espero pelos próximos quilómetros?
  • Quando for atacar, devo me preocupar com quanto tempo eu aguento em cada zona nos treinos? (Sim deves, isso é importante)

Então desenha uma estratégia geral, e vai gerindo a corrida em função do comportamento do teu corpo, e do comportamento dos adversários.

Passo 12 – Tática de equipa 

Para último passo deixei a tática de equipa. E não foi por acaso. Fiz isso porque sei que existem muitas pessoas (talvez a maior parte) que não participa com uma equipa organizada, e por isso este passo não teria forma de ser executado.

No entanto, existem aqueles ciclistas que participam em equipa e que, ou vão participar para ajudar alguém da equipa, ou vão ser ajudados pela equipa para obterem melhor resultado.

Este fenómeno acontece muito mais com as atletas femininas. É frequente vermos grupos de vários homens que combinam entre si uma estratégia para ajudar as senhoras a chegar mais rápido. Os tipos de ajuda que uma equipa nos pode trazer, são sobretudo ajudar-nos a rebocar um atleta durante vários quilómetros, principalmente nos terrenos planos ou a descer, fazendo com que aquele atleta protegido poupe mais energia ou consiga chegar o mais na frente possível.

Outra forma de jogar em equipa é ter vários elementos na frente da corrida, e atacar com um elemento, de forma a obrigar que um adversário se desgaste na sua perseguição, deixando o líder mais resguardado.

Outra situação muito recorrente é atletas da equipa deixarem-se ficar para trás propositadamente para rebocar um ciclista que teve algum furo ou que simplesmente passou mal na subida, mas ainda pode encostar mais na frente. Mas normalmente este fenómeno acontece mais quando são mulheres, já que elas têm uma classificação em separado. No entanto também pode acontecer vermos ciclistas elites ajudando masters ou algo do género, já que no final podem subir ao pódio caso não haja mais nenhum master no grupo da frente (por exemplo)

Outro tipo de ajudas da equipa durante a corrida pode passar também por trocar abastecimento, ou apanhar o abastecimento apeado, ou até, por exemplo deixar um colega na frente parado na zona de abastecimento, ele recolhe o que tiver a recolher, e quando chegar o colega de trás, entrega-lhe o abastecimento sem que necessariamente este tenha que parar.

Enfim, as táticas de entreajuda entre ciclistas são válidas, e claro que quem tiver muitos elementos pode jogar com isso.

Agora, é sempre bom lembrar que ajudar a equipa não é empurrar literalmente um ciclista pela subida acima. Quando falo em rebocar alguém, significa colocar um ritmo forte na frente do grupo, mantendo o “líder” resguardado na parte de trás. Empurrar um atleta, numa prova federada daria direito a uma desclassificação imediata. Por isso lembrem-se: ganhar é bom, mas ganhar a todo o custo não vale a pena.

Conclusão

Agora que chegaste ao final deste longo e completo artigo, deixa-me fazer-te uma síntese daquilo que abordamos aqui.

Dividimos os 12 passos em 4 grandes capítulos. Esses capítulos são:

  • I -Programação e Planeamento
  • II – Treino e Preparação
  • III – Logística
  • IV – Estratégia de prova

É importante relembrar-te que muito daquilo que eu mencionei aqui foi a pensar naqueles ciclistas que, embora amadores, querem fazer boa figura e dar o seu melhor rumo aos seus objetivos pessoais neste tipo de corridas. Se tu és aquele ciclista que vai participar apenas pela diversão e pelo convívio, existem certamente alguns destes passos que podes descartar, por serem demasiado avançados e te obrigarem a despender dinheiro que poderás poupar.

Mas se és realmente uma pessoa competitiva e que quer levar este tipo de granfondos a sério, então é importante que graves este artigo nos teus favoritos, pois certamente virás aqui algumas vezes rever o que foi dito.

Lembra-te que a preparação começa antes mesmo do início da temporada, e culmina no dia da prova. Então não deixes tudo para a última da hora. Programa-te com antecedência, reúne-te das pessoas certas para te ajudar, alia-te a outros ciclistas para dividir tarefas e despesas, e desfruta desta excelente aventura que é o ciclismo! 🙂

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Grande abraço e boas pedaladas! 🙂